Azerbaijão e Geórgia por Mariana Mathias

Há lugares onde poucos quilômetros são suficientes para transformar completamente a paisagem, a cultura e até o ritmo da viagem. Entre o Azerbaijão e a Geórgia, trocam-se as mesquitas pelas igrejas, o chá pelo vinho e o Mar Cáspio pelas montanhas do Cáucaso. Ainda assim, os dois países compartilham algo em comum: uma identidade profundamente ligada às suas tradições, mas aberta ao novo.

Ao longo desta jornada, o que mais surpreendeu não foram apenas os monumentos, as paisagens ou a gastronomia, mas a forma como cada destino revela sua personalidade por meio das experiências vividas, dos encontros e das histórias que fazem parte do caminho.

Baku: um destino que surpreende a cada curva

Baku foi a porta de entrada para um país que vive entre a herança ancestral e a modernidade. À primeira vista, a capital impressiona pelas avenidas amplas, pela arquitetura contemporânea e pelas icônicas Flame Towers, símbolo da Terra do Fogo. O futurista Heydar Aliyev Center reforça essa imagem de um Azerbaijão voltado para o futuro.

Mas basta atravessar as muralhas de Icherisheher, a Cidade Velha, para encontrar um cenário completamente diferente. Ruas estreitas, construções históricas e séculos de história preservados mostram outra face da capital, onde o passado continua presente no cotidiano.

A cultura local também se revela pelos sabores. Entre uma degustação de caviar do Mar Cáspio e uma visita ao tradicional Green Bazaar, foi possível conhecer ingredientes, aromas e hábitos que ajudam a compreender a identidade do país muito além dos cartões-postais.

Uma das experiências mais marcantes aconteceu em Gobustan. Caminhar entre gravuras rupestres que remontam a milhares de anos e, logo depois, observar os vulcões de lama espalhados pela paisagem cria a sensação de estar diante de um território ainda pouco explorado pelo turismo internacional. São cenários que ajudam a entender por que o Azerbaijão consegue surpreender mesmo os viajantes mais experientes.

Essa combinação entre modernidade, história e natureza torna a passagem pelo país especialmente interessante. Em poucos dias, a viagem mostra facetas muito diferentes de um destino que ainda permanece fora do radar de muitos brasileiros.

Geórgia: onde a cultura de vive à mesa

A chegada à Geórgia traz uma mudança imediata de atmosfera. Em Tbilisi, construções históricas, igrejas centenárias, bairros modernos e vestígios do período soviético convivem em harmonia. Do alto da Fortaleza de Narikala, alcançada por teleférico, a vista oferece uma das melhores perspectivas da cidade e de sua diversidade.

Mas é no contato com as pessoas que a Geórgia revela seu maior encanto. A hospitalidade local aparece à mesa, nos longos brindes conduzidos pelo tradicional tamada e na maneira como refeições se transformam em momentos de convivência. Em uma oficina culinária, aprendemos a preparar khinkali, enquanto apresentações de música e dança tradicional mostraram como a cultura georgiana continua viva e presente no dia a dia.

Ao longo do roteiro, igrejas e mosteiros como Jvari, Svetitskhoveli e Bodbe ajudaram a compreender a profunda ligação do país com sua história e sua fé. Em Uplistsikhe, antiga cidade escavada na rocha, a sensação é de viajar no tempo, enquanto experiências mais contemporâneas, como o workshop de esmalte cloisonné com mulheres deslocadas pela guerra de 2008, trouxeram um olhar humano e emocionante sobre o país atual.

A reta final da viagem levou a Kakheti, região considerada o coração do vinho georgiano. Entre vinhedos, degustações e visitas a propriedades como a Mosmieri Winery e a histórica Tsinandali Estate, foi possível entender por que a tradição vinícola ocupa um papel tão importante na identidade nacional. Mais do que uma atividade turística, o vinho aparece como parte da história, da cultura e das relações sociais georgianas.

Ao final da jornada, fica a impressão de que Azerbaijão e Geórgia se complementam perfeitamente. Um surpreende pelos contrastes entre passado e futuro. O outro conquista pela autenticidade, pela hospitalidade e pela força de suas tradições. Juntos, formam uma combinação fascinante para quem busca experiências culturais genuínas, paisagens variadas e destinos que ainda preservam a sensação de descoberta.